Plataforma lançada na COP 22 reunirá medidas para conter aquecimento do planeta. EUA elogiam atuação do país na agenda ambiental.
LUCAS TOLENTINO
Enviado especial a Marrakech
O Brasil mobilizará projetos voltados para o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono. O governo federal e instituições internacionais lançaram quarta-feira (09/11), na 22ª Conferência das Partes (COP 22) sobre Mudança do Clima, em Marrakech, no Marrocos, a Lab Brasil para o Financiamento do Clima.
A plataforma reunirá especialistas do setor público, da iniciativa privada e da sociedade civil com o objetivo estabelecer medidas inovadoras capazes de garantir o financiamento para ações de baixa emissão de gases de efeito estufa. ?A primeira chamada para ideias com foco no Brasil receberá propostas até 16 de dezembro.
As áreas de florestas, agricultura e energia foram apontadas como prioritárias. Esses setores são considerados essenciais para o cumprimento das metas nacionais de corte de emissões. Por isso, a iniciativa foi lançada no Espaço Brasil na COP 22, reunião mundial que ocorre até o fim da próxima semana no Marrocos para definir os detalhes do novo acordo climático em vigor. “O intuito é reforçar o diálogo com o setor financeiro para explorar oportunidades”, afirmou o diretor de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Adriano Santhiago.
LIDERANÇA
A comunidade internacional considerou o Brasil um dos mais atuantes na agenda ambiental. “A liderança brasileira é mostrada o tempo todo de maneira bastante pragmática e inventiva”, avaliou o assessor para Financiamento Climático do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Ricardo Nogueira, no lançamento da Lab Brasil. “Essa iniciativa será uma forma de conseguir acesso ao mais alto escalão e tornará os projetos mais atrativos e financiáveis”, acrescentou.
Considerado um dos mais robustos, o compromisso brasileiro é reduzir 37% das emissões de carbono até 2025, com indicativo de chegar a 43% em 2030. Diversas ações já estão em curso em território nacional para cumprir a meta e, segundo Santhiago, a Lab Brasil contribuirá para acelerar o processo. “O país tem muita ambição na agenda climática e essa será uma importante ferramenta para estabelecer redes e estabelecer ações”, explicou.
FINANCIAMENTO
A Lab Brasil faz parte de uma plataforma maior, o Global Innovation Lab, endossado pelo G7, grupo que reúne as principais economias mundiais: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Desde o lançamento, em 2014, o Lab atraiu cerca de US$ 600 milhões (R$ 1,9 bilhão) em compromissos de financiamento para projetos pilotos em energias renováveis, eficiência energética, agricultura inteligente e de uso da terra.
Agora, foi aberta uma nova frente de trabalho focada no Brasil. Com isso, as propostas serão selecionadas de acordo com critérios estabelecidos pelo Global Lab e por seu potencial para apoiar a implementação da meta brasileira de corte de emissões. Essa meta é a chamada Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do país, apresentada no contexto do Acordo de Paris, concluído por mais de 190 países no ano passado e já em vigor desde o dia 4 de novembro.
A COP 22
Até o dia 18 de novembro, representantes dos mais de 190 países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) estão reunidos em Marrakech, na COP 22, para regulamentar o Acordo de Paris. Esse pacto estabelece que o aumento da temperatura média global deve ficar bem abaixo de 2ºC. A partir disso, essas nações estão trabalhando, de agora em diante, nos detalhes necessários para que esse compromisso seja alcançado.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente