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Ed. 191 – Ecoturismo em Santos – Área Continental

5 March 2010 0 Comentários

Internacionalmente conhecida pela beleza de sua orla, por ostentar o maior jardim de praia do mundo (Guinness Book) e por seu rico patrimônio histórico, que pode ser apreciado em um passeio com bondes do século passado, Santos também surpreende os visitantes por oferecer trilhas para ecoturismo em sua área continental.

Não se espante: a cidade de Santos, com praias, porto, zonas residencial e comercial, ocupa 39,4 km² da Ilha de São Vicente (na parte restante fica São Vicente), e os outros 231,6 km² do município ficam no continente, que tem 55,71% de área preservada.

É no continente que diferentes formações florestais, fauna diversificada, rios, córregos e cachoeiras compõem o cenário dos roteiros ecológicos. É bom lembrar que a biodiversidade vegetal da Mata Atlântica é superior até à da Floresta Amazônica. E, embora o que reste dessa floresta tropical corresponda a menos de 8% da área original, os três ecossistemas existentes – mata de encosta, manguezal e restinga – mostram a riqueza do patrimônio ambiental em excelentes condições de preservação.

Há vários roteiros à escolha, para ecoturistas experientes e para aqueles que estão ingressando na aventura de desbravar novos e reservados espaços. Escolha o seu e desfrute de momentos de total integração com a natureza.

Mas atenção: o acesso é permitido apenas sob monitoramento de firmas cadastradas pela Prefeitura de Santos, para melhor preservação ecológica. Informe-se pelo Disk Tour 0800-1773887, que atende diariamente das 8 às 20 horas.

CAMINHOS DE ITATINGA
Depois de uma rápida travessia de barco pelo Rio Itapanhaú e de um percurso de 7,5 km cumprido em um pitoresco bondinho, em trajeto que mostra a exuberância da Mata Atlântica, chega-se à Vila de Itatinga, ponto de partida para o descobrimento das belezas existentes em várias trilhas, com cachoeiras e piscinas naturais. Caminhos de Itatinga apresenta como atrativos três ecossistemas (matas de encosta, manguezal e restinga) em excelentes condições de conservação. Para completar, é possível conhecer mais sobre a história da usina hidrelétrica ali localizada, que até hoje abastece o Porto de Santos.

Formada por 70 casas simples e uma capela, construções que começaram em 1910, nas quais se nota a influência da arquitetura inglesa, a vila conta com cachoeiras e piscinas naturais. Também é possível contemplar a belíssima paisagem litorânea e as ruínas que remontam à história das missões jesuítas e à colonização brasileira. Do alto da montanha aprecia-se a belíssima paisagem da planície litorânea, com o mar ao fundo. Há, ainda, visita a um sítio, onde é servido cafezinho feito em fogão à lenha e bolo de banana.

FAZENDA CABUÇU
O ponto alto do roteiro é a cachoeira do Cabuçu, com cerca de 10 metros de altura, que desce sobre enorme rocha, verdadeiro escorregador, e forma uma grande piscina natural. O percurso até lá tem muito chão pela frente, incluindo a travessia de córregos cristalinos. Árvores de grande porte fazem a demarcação do caminho, que oferece grande variedade de plantas e flores nativas, além de aves e outros animais de pequeno porte. Para os pesquisadores da fauna e da flora, a Trilha do Rio de Areia é o mapa da mina. O percurso margeia águas claras, rasas e cristalinas, formando pequenas enseadas, onde é comum encontrar pegadas de animais, além de profusão de samambaias, trepadeiras e bromélias.

A fazenda é uma referência histórica para a Baixada Santista pois, no período de colonização, o lugar serviu de abrigo à Companhia de Jesus, que montou ali um posto de catequese para os índios. Na primeira metade do século passado, a região foi ocupada por grandes plantações de banana, cuja produção era transportada por vagonetes até as proximidades do Rio Cabuçu, e dali, por meio de barcos, até o Mercado Municipal de Santos.

Próprio para quem gosta de aventura, o roteiro resulta de um convênio firmado entre a Prefeitura e o grupo Fazenda Sete Lagoas Agrícola S/A, proprietário da área, que se localiza às margens da Rodovia Rio-Santos (SP 55, antiga BR 101).

MIRANTE DO CAETÊ
Com 260 m de altitude, o Mirante do Caetê (significa “mato grande” ou “floresta”, em tupi-guarani) pode ser atingido por uma íngreme trilha de 1.200 metros de extensão, ideal para visitantes interessados em praticar exercícios físicos intensos. Os vários riachos que descem o morro chamam a atenção para o aspecto hídrico da região.

Localizado a apenas 2 km da Fazenda Cabuçu, o local permite a observação panorâmica dos ecossistemas da mata pluvial de encosta, manguezais, Canal de Bertioga e área urbana da cidade. Podem ser observadas várias aves e ouvidos os sons emitidos por tangarás e macucos, e por mamíferos como a cotia e o tatu, este raro atualmente na região.

O Mirante do Caetê fica no entroncamento das rodovias Domênico Rangoni (antiga Piaçaguera) e Rodovia Rio-Santos (SP 55, antiga BR 101).

CAMINHOS DO JURUBATUBA
Cenários de muitos acontecimentos da história do Brasil, a área do Rio Jurubatuba (significa “lugar feliz”, em tupi-guarani) foi sesmaria de Braz Cubas, o fundador de Santos. Pelo rio já se deslocaram embarcações com índios, colonos, além de inúmeras ‘chatas’ com bananas.

Aqui, as atenções se voltam naturalmente para a água, não apenas por sua abundância e por ser um dos mananciais mais puros da região, mas também pela beleza e grandiosidade com que o rio se apresenta.

A área, que pode ser percorrida em caiaques e canoas canadenses, é rica ainda em vegetais e animais nativos da Mata Atlântica, como tatus, cotias, preguiças, lagartos e aves de solo como o macucos, nhambus e urus. Há também grande número de sabiás, periquitos, maritacas, tucanos, tiés, saíras e outros. Por meio de agências cadastradas no programa, é possível contratar instrutores e equipamentos. O acesso é feito pela Rodovia Domênico Rangoni (antiga Piaçaguera).

ESTÂNCIA DIANA
Repleta de histórias e belezas naturais, a Estância Diana faz parte de um cenário rural deslumbrante, onde se pode ver de perto a exótica criação de búfalos da raça Murrah, originária da Índia. Também é possível observar diversas plantas exóticas cultivadas no próprio local, o minhocário e sua produção de húmus.

Nos caminhos e trilhas que cortam o sítio, os visitantes têm oportunidade de apreciar três ecossistemas: mata de encosta, restinga e mangue, além de variadas espécies da fauna como joão-de-barro, tucano, quero-quero, gavião, beija-flor e outros animais silvestres. A Estância Diana tem acesso pela Rodovia Domênico Rangoni (antiga Piaçaguera-Guarujá).

TRILHA POÇO VERDE
Com saída do portinho do Caruara, a trilha – a primeira com projeto de acessibilidade para portadores de necessidades especiais – possibilita a observação de espécies da Mata Atlântica, interpretação de placas de sinalização e a prática de esportes radicais no Rio Iriri. O manancial do Poço Verde fica a cerca de dois quilômetros de Caruara, na divisa do bairro Caibura, em Bertioga.

PASSEIOS ECOLÓGICOS

1 – Passeios de Escuna pela Baía de Santos
Navegar pela Baía de Santos e conhecer o encanto de suas ilhas e praias. Passar bem próximo dos navios com bandeiras de várias partes do mundo, atracados no Porto de Santos, o maior da América Latina. Dar um mergulho e refrescar-se em águas tranquilas…E ver Santos por um ângulo inusitado.

Tudo isso é possível nos passeios de escuna, barcos que conduzem o passageiro numa breve viagem por mar, com duração entre meia e quatro horas. Existem vários roteiros para conhecer a Baía de Santos, passando pela Fortaleza da Barra; ilhas das Palmas e Urubuqueçaba; praias do Góes, do Cheira Limão e do Sangava, localizadas no Guarujá.

Também podem ser observadas, sob prisma diferenciado, as praias do José Menino, Pompéia, Gonzaga, Boqueirão, Embaré, Aparecida e Ponta da Praia, todas em Santos. Na direção contrária, através do estuário e Canal de Bertioga, o destaque fica com o porto e seus armazéns; as construções antigas da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp); Ilha Barnabé; Base Aérea de Santos e a Ilha Diana, onde vive uma comunidade de 200 pescadores; os manguezais e parte da área continental de Santos.

As escunas partem da Ponte Edgard Perdigão, na Avenida Saldanha da Gama, no bairro Ponta da Praia, onde são adquiridas as passagens. Os passeios são realizados de terça a sexta, das 9 às 17 horas, e as saídas dependem do número de passageiros (mínimo de sete pessoas) e das condições da maré.

O serviço fica a cargo das empresas Bravotur (tel. 13/ 3227-6933, 9713-2573), Genesis (tel. 13 / 3567-2070, 9787-9380) , Turismo no Mar (tel. 13 / 9721-1200, 9721-6655).

2 – Laje de Santos
Considerado o melhor ponto de mergulho do Estado de São Paulo e o 3º do Brasil, a Laje de Santos está a 45 quilômetros da praia, no sentido NE-SW (nordesde – sudoeste). Formação rochosa granítica com perfil que lembra uma baleia, tem 550 metros de comprimento, 33 de altura e 185 de largura. O lugar favorece um mergulho inesquecível: água do mar cristalina, temperatura em torno de 23º C, visibilidade de até 30 metros e fauna impressionante. Os mergulhadores e fotógrafos submarinos podem ver cardumes coloridos, arraias-jamantas, tartarugas, garoupas e até golfinhos. Dependendo da época – e da sorte -, é possível ver tubarões e baleias.

Para quem quer mais aventura, basta mergulhar até 23 metros para observar a embarcação Moreia, naufragada artificialmente em 1992. A dica é ir até a proa, o banheiro e o convés. Descendo um pouco mais, cerca de 40 metros, está o Parcel das Âncoras.

Também são imperdíveis, nesse passeio, os rochedos submersos na extremidade sul da laje, onde são formadas piscinas naturais que abrigam vários cardumes de peixes-cirurgiões. A laje apresenta declividade mais acentuada no lado exposto ao embate de ondas (sul, sudeste) – no lado norte, mais abrigado, a declividade é mais suave. Em ambos os lados, a profundidade atinge cerca de 30 metros.
Criado em 27 de Setembro de 1993, o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos abrange áreas emersas (Ilha Laje de Santos e rochedos conhecidos como Calhaus) e imersas (parcéis, fundo arenoso e a coluna de água), sendo a primeira unidade estadual a compreender o meio aquático marinho, sob administração da Fundação Florestal e Instituto Florestal, órgãos da Secretaria do Meio Ambiente, responsáveis respectivamente pela administração/proteção/manejo e, coordenação das atividades técnicas científicas das Unidades de Conservação da Natureza de São Paulo.

É um local de grande interesse para a conservação da diversidade biológica na costa paulista, nos meios terrestre, aéreo e submarino. Cinco espécies de aves marinhas insulares procriam na laje: o gaivotão Larus dominicanus; três espécies de trinta-réis (Sterna hirundinacea, S. eurygnatha e S. Maxima), que formam colônias no inverno, e o atobá-marrom Sula leucogaster, que nidifica durante o ano todo.

Trata-se da única ilha no Brasil que constitui sítio reprodutivo frequente destas três espécies de trinta-réis. As demais espécies são apenas visitantes. Ao todo foram registradas 30 espécies de aves, sendo 17 marinhas e 13 não marinhas. A fragata, albatrozes e petréis, o falcão-peregrino e passarinhos, entre outras, compõem esta fauna alada abundante.

Espécies de peixes recifais, isto é, que vivem associadas ao substrato rochoso em alguma fase de seu ciclo de vida, como donzelas, frades, budiões e garoupas, encontram nesta área condições ideais para sua sobrevivência e reprodução. Cardumes de espécies de importância comercial como sardinhas, bonitos, enchovas, olhetes e outros são frequentemente observados na área do parque, onde encontram abrigo, alimento e habitat para reprodução, o que permite destacar sua importância para a reposição dos estoques de recursos marinhos, assegurando a manutenção do potencial pesqueiro da região.

Há também espécies de peixes não-formadoras de cardumes, mas que da mesma forma se aproximam atraídas pela concentração de alimento, como ocorre com as raias. Raias-manta ou raias-jamanta, Manta birostris, símbolo dessa Unidade de Conservação da Natureza (UC), possuindo grande envergadura, são frequentes em certas épocas do ano.

Várias espécies marinhas migratórias (como tartarugas, aves, baleias e golfinhos) utilizam esta unidade de conservação como parte de sua rota e local de alimentação e abrigo. Há grande diversidade da flora e fauna de fundo (algas, corais, esponjas, estrelas do mar, crustáceos e moluscos) a qual, aliada as águas muito azuis e transparentes, torna o parque um dos principais pontos de mergulho e fotografia submarina do País.

Classificada de Proteção Integral, esta UC destina-se a fins científicos, culturais, educativos e recreativos, estando categorizada para receber e desenvolver atividades náuticas de visitação pública de forma regulamentada.

Há várias empresas operadoras de mergulho credenciadas a operar junto à Laje de Santos – é só ligar para o Disk Tour 0800-1773887.

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