Para Spike Lee tecnologia democratiza a criatividade e a produção de filmes
O cineasta Spike Lee, presente no Festival Internacional de Publicidade, em Cannes, destacou que as facilidades tecnológicas de hoje permitem a qualquer um fazer um filme, o que rompe com a ditadura da dependência de grandes estruturas para filmar. Reconhecidamente um questionador do stablishment, Lee vê na tecnologia o caminho para que grandes idéias e histórias possam ser contadas, seja em filmes propriamente ditos ou em publicidade.
“Eu tenho 52 anos, e minha geração precisava ir para as escolas de cinema para ter acesso aos equipamentos. E eu não acho que uma escola seja fundamental para a carreira de um cineasta”, disse. Muito bem humorado, Lee brincou que, com o dinheiro pago nas escolas, é possível comprar um equipamento com luz e sair filmando.
Embora não tenha nenhum projeto com filmes feitos em celular, Lee acredita nessa plataforma como caminho para que os talentos que existem em abundância pelo mundo possam ser conhecidos. O diretor lembrou que o ser humano é um contador de histórias em sua essência e que ter a possibilidade de contá-la com o uso dos celulares é muito democrático. Ele brincou ainda ao verbalizar a previsão de que, no futuro – “guardem essa data, 25 de junho de 2009, e as palavras de Spike Lee” – pagaremos para ver no cinema filmes feito a partir de telefones digitais.
Famoso por filmes como “Faça a Coisa Certa” e “Malcom X”, o diretor está em Cannes para participar de seminário que debaterá a geração de conteúdo por parte do usuário. Lee também veio anunciar os ganhadores da competição U12 User Generated Content, promovido pela Mofilm – provedora de conteúdo para plataformas digitais, e da qual ele foi o presidente do júri.
A competição, que prevê a criação de comerciais feitos com celulares a partir de um briefing fornecido por marcas que são parceiras na promoção, teve como vencedor Hiroki Ono, como filme criado para a Nokia. Em segundo lugar ficou Mahesh Pailor, para Best Buy, e, em terceiro, Jeff Gill para AT&T.
Durante a conversa com jornalistas, Lee brincou com um correspondente espanhol sobre a derrota da seleção da Espanha, disse gostar do futebol do Brasil – torceu para o país na Copa da Alemanha e vai repetir a dose na África do Sul – e fez piada com o resultado do jogo Brasil e Estados Unidos no final de semana. “Agora com o Obama vamos ganhar, a gente perdia por causa do Bush”.
Inês Figueiró, especial para o Terra
Direto de Cannes

















