O técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, tem consciência de quão ameaçado está de perder o emprego. “No Brasil, quando se ganha uma Copa do Mundo o técnico não é elogiado”, disse. “Imagina o técnico que perde a Olimpíada…”

Antes do início da Olimpíada, o presidente da CBF, José Maria Marin, havia anunciado que o treinador dependia dos resultados para permanecer no cargo.

O cartola também afirmou que só analisaria o desempenho do futebol brasileiro na Olimpíada depois que retornasse ao Brasil, o que só ocorrerá na sexta-feira. Antes, a seleção vai passar quase uma semana na Suécia, onde disputa amistoso na quarta-feira, com Mano Menezes no banco de reservas.

A Olimpíada foi a segunda competição do ex-treinador do Corinthians à frente da seleção brasileira. E a segunda frustração. No ano passado, perdeu a Copa América. O jogo contra o México foi o 32º de Mano com a seleção, com 21 vitórias, cinco empates e seis derrotas.

Além das derrotas nos torneios oficiais, a equipe de Mano ainda sofre quando enfrenta rivais de peso –perdeu para Alemanha, França e Argentina, duas vezes.

“A derrota em um jogo não pode influenciar numa decisão”, disse o técnico, sobre seu futuro no cargo. “Saímos com saldo positivo por termos chegado à final, embora não tenhamos vencido.”

Visivelmente abatido, Mano se disse “muito triste” com a perda da medalha de ouro, mas não quis apontar um vilão pela derrota. “Temos que nos respeitar nos momentos de derrotas. Foi isso que disse aos atletas no vestiário”, afirmou.

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O treinador festejou o fato de não ter enfrentado “nenhum problema de indisciplina” durante os quase 30 dias de preparação e Jogos. Assim como Neymar, Mano saiu em defesa de Rafael, que falhou no primeiro gol dos mexicanos no sábado.

A semifinal e a final foram os únicos jogos em que o treinador repetiu uma escalação no torneio olímpico. Para fazer testes, Mano sempre mexeu na formação do time.

O lateral direito, que joga no Manchester United, passou pela área de entrevistas sem falar com os jornalistas.

O treinador foi defendido por seu capitão, Thiago Silva. “Tem que ter tranquilidade e administrar bem esse momento difícil. A vida não acaba aqui. Não precisamos de mudança”, afirmou o zagueiro, um dos três jogadores com mais de 23 anos –Marcelo e Hulk foram os outros.

O jogador de 27 anos pediu tempo para Mano Menezes trabalhar. E deixou claro que acredita numa recuperação da autoestima em 2013. “A rapaziada está com a cabeça boa e espero que a Copa das Confederações, no ano que vem, termine diferente”, disse Thiago Silva.

LEANDRO COLON
MARTÍN FERNANDEZ
SÉRGIO RANGEL

Fonte: Folha de S. Paulo