Por Ligia Paes de Barros

As unidades de conservação (UCs) da Amazônia possuem um objetivo bem claro: preservar a rica diversidade biológica do bioma. E para que isso ocorra de maneira eficiente, é fundamental que elas sejam muito bem geridas. Infelizmente, existem algumas dificuldades nesse caminho. Muitas unidades de conservação na região amazônica sofrem com a falta de recursos, tanto humanos como orçamentários, e consequentemente, com a carência de equipamentos necessários para o trabalho dos gestores e moradores do entorno.

Considerando essa realidade, três UCs da Amazônia brasileira têm bons motivos para comemorar. O Mosaico do Apuí (AM), o Parque Nacional do Juruena (MT) e a Estação Ecológica Maracá-Jipioca (AP) receberão diversos equipamentos que vão ajudar na gestão das áreas. Neste Ano Internacional da Biodiversidade, esta é uma excelente notícia para as comunidades e gestores das unidades de conservação.

Um casco de voadeira (embarcação utilizada na região), uma moto, cinco computadores, um data show, uma impressora a laser e dois GPS serão doados pelo WWF-Brasil aos órgãos responsáveis pelas unidades de conservação – o governo do estado do Amazonas e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Esses instrumentos facilitarão não apenas à fiscalização contra invasores, mas o transporte interno e os trabalhos administrativos das unidades de conservação.

Comunidades do Médio Rio Negro, que vivem em unidades de conservação ou entorno, também serão beneficiadas. A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) receberá do WWF-Brasil a doação de radiofonias que serão instaladas em cinco comunidades que não tem nenhum meio de comunicação.

A aquisição dos equipamentos foi realizada com o apoio do WWF-Alemanha e Fundo Gradual Amazônia Viva, que repassaram recursos para a compra de equipamentos. O WWF-Alemanha apoia projetos do WWF-Brasil na região do Parque Nacional do Juruena desde 2006. O Fundo Gradual Amazônia Viva é resultado de uma parceria coorporativa entre o WWF-Brasil e a Gradual Investimentos. O Fundo foi lançado em fevereiro de 2009 e destina parte dos recursos levantados para projetos de conservação da natureza e sustentabilidade na Amazônia.

A doação faz parte de uma estratégia de fortalecimento da gestão das unidades de conservação. “O Brasil deve investir não apenas na criação de novas unidades de conservação como também na implementação e gestão dessas áreas. Apenas com uma boa gestão as unidades de conservação são capazes de cumprir seu objetivo maior de conservação da biodiversidade”, aponta Cláudio Maretti, superintendente regional do WWF-Brasil, sobre a iniciativa.

Em função do processo de compra e assinatura dos termos de doação e a logística necessária para fazer os equipamentos chegarem nas áreas remotas, os beneficiários receberão as doações entre março e abril próximos.

WWF-Brasil