O governo da China afirmou nesta quinta-feira (3) que compartilha praticamente os mesmos pontos de vista que países em desenvolvimento como Brasil e Índia a respeito do combate à mudança climática, acrescentando que especialmente os países desenvolvidos devem liderar os esforços de redução de emissões.

“Temos demandas, posições e preocupações semelhantes, em essência, que todos devem honrar seus compromissos e muito especialmente as nações desenvolvidas devem cumprir os objetivos de redução de emissões a médio prazo que elas mesmas fixaram”, disse o porta-voz de Assuntos Exteriores chinês, Qin Gang, em entrevista coletiva.

O sucesso da cúpula da mudança climática que começa na próxima semana, em Copenhague, disse Qin, está em “se a comunidade internacional pode respeitar o convênio marco das Nações Unidas, o Protocolo de Kyoto, o Mapa do Caminho de Bali e o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas”.

Obrigação
Perguntado sobre a posição indiana –no fim de semana passado prometeu “esforços” contra a mudança climática, mas não ofereceu números concretos–, Qin disse que “China e Índia são ambos países em desenvolvimento e vítimas” do aquecimento global.

Não têm objetivos obrigatórios de emissão de reduções, e os dois compartilham a mesma postura de que são os países desenvolvidos que devem liderar”, acrescentou o porta-voz.

“A China entende a situação atual da Índia, ambos devem tomar medidas de adaptação e mitigação (da mudança climática) de acordo com suas condições nacionais”, destacou.

Maior emissor mundial de dióxido de carbono, a China aumentou o otimismo da comunidade internacional perante a cúpula de Copenhague ao anunciar, na semana passada, que seu primeiro-ministro, Wen Jiabao, lideraria a delegação nacional na capital dinamarquesa.

Também se comprometeu a reduzir em entre 40% e 45% até 2020 sua intensidade de carbono, número obtido ao dividir as emissões de CO2 de um país por seu Produto Interno Bruto (PIB).

Folha de São Paulo