Está sendo desenvolvida a regulamentação de políticas públicas (nacional, estaduais e municipais) de mudanças climáticas através de medidas reais, mensuráveis e verificáveis para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Isto ocorrerá de duas formas: i) através de metas de estabilização ou redução de emissões e ii) de metas de eficiência setoriais, tendo por base as emissões de gases de efeito estufa inventariadas para cada setor e parâmetros de eficiência que identifiquem, dentro de cada setor, padrões positivos de referência.

A pergunta não é “se”, mas “quando” e “quanto” a indústria será afetada pelas políticas públicas de mudanças climáticas. Como medida sensata de precaução, as indústrias estão desenvolvendo uma melhor compreensão de suas emissões de GEE, analisando riscos e quantificando os custos e as diferentes medidas para reduzir o consumo de energia e emissões.

O Índice de Carbono Eficiente – ICE (BM&F Bovespa/BNDES) medirá a eficiência das emissões de GEE por receita gerada como unidade base das empresas de capital aberto, formado a partir do inventário de emissões de GEE. Será utilizado para ‘redefinir’ o peso das ações dentro do índice IBrX 50, afetando a liquidez das ações.

Novos financiamentos poderão ter novas condicionantes ainda não exigidas pelos Órgãos Ambientais, tais como a gestão de passivos ambiental-climáticos e a antecipação de compromissos de regularização.

As ecotaxas, incluindo os impostos sobre as emissões de carbono, são os tributos do futuro (cada vez mais próximo). O crescimento das despesas correntes do setor público (%PIB) levará inexoravelmente a um aumento da carga tributária pela criação de ecotaxas: serão estabelecidos preços e tarifas públicas, tributos e outras formas de cobrança por atividades emissoras de gases de efeito estufa.

Setores já descarbonizados ou que anteciparam suas reduções de emissão de GEE poderão até mesmo ser penalizados, onde o custo marginal de redução varia entre US$ 40,00 a US$ 200,00 t/CO2.

Algumas oportunidades estão em discussão: o fomento para reduções de emissões de gases de efeito estufa, ampliação do prazo de renovação de licenças ambientais, priorização e menores taxas de juros em financiamentos públicos, incentivos fiscais, criação de um mercado de permissões e revisão das políticas energética e fiscal para a conservação de energia e o aumento da participação das fontes renováveis na matriz energética.

Como alternativas de atuação nesta frente de competição empresarial podemos liderar através de: i) possibilidades de reduzir custos e baixar preços incluindo receitas não-operacionais de créditos de carbono; ii) atuar com todas as forças em um segmento específico da nova economia de baixo carbono; iii) diferenciação com estratégias de nicho, criando algo único no mercado, ou que tenha baixa oferta e demanda maior que essa oferta.

Para alguns segmentos da indústria a redução de emissões de GEE será alcançada com melhorias tecnológicas contínuas, para outros através da diversidade tecnológica e em alguns casos somente com rupturas e revoluções tecnológicas frente a tecnologias inexistentes. Serão novos caminhos e um novo jeito de caminhar rumo à inovação e a competitividade industrial. A competitividade da indústria reside, portanto na capacidade sustentável de sobreviver e, de preferência, crescer nos mercados concorrentes ou em novos mercados numa economia de baixo carbono.

Eu produzo, você consome, nós poluímos!
A conjugação destes verbos expressa de forma mais abrangente a responsabilidade solidária pela poluição. Poluição, conforme a lei que estabelece a Política Nacional de Meio Ambiente, (Lei 6.938/91) é definida como “a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;…” e poluidor, “a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental…”, ou seja, eu e você somos potencialmente poluidores do meio ambiente.

Só pelo simples fato de existirmos, estamos demandando recursos naturais, e boa parte deles não renováveis, bem como deixando um rastro de poluição nem sempre evidente. A este efeito se dá o nome de pegada ecológica.

Consumo consciente, redução, reuso e reciclagem parecem não ser suficientes. Somos bombardeados constantemente por prognósticos catastrofistas e anúncios de limites da capacidade de suporte da vida humana na terra. Igualmente se acirra os debates sobre uma pseudo “crise civilizatória do capitalismo e sua lógica sacrificial, predadora, racista e patriarcal… do direito a viver bem em contraposição ao principio econômico do crescimento contínuo”.

Ideologias à parte ocorrem que todas as tentativas de fixar os limites de sustentabilidade da terra foram inexoravelmente frustradas. No máximo se consegue estimar os impactos futuros a luz das tecnologias e práticas presentes. Melhorias contínuas, rupturas e revoluções tecnológicas, culturais e socioeconômicas, tem sistematicamente elevado os limites da capacidade de suporte da vida humana no planeta.

Como consumidores, precisamos considerar nas nossas escolhas (consumo consciente, a redução, o reuso e a reciclagem) a demanda indireta ou oculta de recursos naturais, com destaque sobre os não renováveis. Ou seja, considerar a energia, água, recursos minerais, transportes e processos produtivos e seus impactos no meio ambiente para orientar as nossas decisões de consumo.
Ferramentas como a Avaliação do Ciclo de Vida – ACV do produto (do berço ao túmulo) permitem não só a comparação de produtos, bem como a escolha mais responsável de fornecedores e pode subsidiar a indústria na identificação de oportunidades de melhoria, na rotulagem ambiental, no ecodesign, na comunicação (marketing verde) e também na formulação de políticas públicas.

Ao setor produtivo, incluindo as indústrias, se espera um comprometimento cada vez maior com a inovação e a competitividade não só econômica, mas também socioambiental. Isto se aplica inclusive a mercados mais conservadores como empresas de commodities e matérias-primas – com foco em baixo custo e grande escala. Precisamos de mais tecnologia, de novos modos de geração e distribuição de conhecimento, de regulação flexível, diversidade tecnológica, e aumento da capacidade de observação e aprendizado sobre impactos socioambientais das novas tecnologias.

Mais do que parecer, é importante ser sustentável e socioambientalmente responsável, tendo por objeto iniciativas cuja efetividade seja inquestionável.

A chave do sucesso está na adequada percepção da responsabilidade solidária pela poluição, na inovação, nas escolhas corretas, somadas a boa gestão, precaução e prevenção em uma sociedade cada vez mais global e interdependente, onde todos ganham: os negócios, o seu bolso e principalmente o planeta.

Fonte: Decio Michellis Junior (http://blog.nei.com.br/)