A maior parte do dinheiro do pré-sal ficará no Brasil. A promessa é da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante visita a Washington.

Falando sobre o novo marco regulatório para a exploração dos campos petrolíferos brasileiros, ela disse ainda que a Petrobras tem condições de assumir o controle de todos os blocos e que o modelo preferido de exploração será o de partilha -as petroleiras terão de entregar uma parcela mínima do óleo extraído à estatal que será criada para gerenciar o pré-sal.

Indagada sobre se isso não afastaria os investidores estrangeiros, disse que as petrolíferas são atraídas pelas reservas do pré-sal porque são grandes, situadas num país estável. “Então, não estamos nem um pouco preocupados se um investidor não vai estar interessado em explorar; ele vai.”

Sobre o novo marco, que ela e o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) pretendem entregar ao presidente Lula até agosto, disse que não daria detalhes, Ainda assim, comentou indiretamente alguns aspectos que podem estar no projeto. “O investidor sabe que, quando é baixo o risco e elevada a rentabilidade, os contratos mudam, não são mais contratos de concessão, se tornam híbridos.”

Depois de dizer que eram bem-vindas ao processo empresas privadas brasileiras e privadas e estatais estrangeiras, ressaltou que a condução será do governo. “Essa condução, clara, é a seguinte: as reservas brasileiras, em sua maioria, transformar-se-ão em riquezas para o povo brasileiro.” Além disso, será escolhido um modelo “que não é o tradicional dos países que hoje fazem contratação de serviços: preferimos o modelo de partilha”.

Questionada se a Petrobras daria conta de controlar todos os blocos, disse que a estatal tem sido no Brasil “o sonho de operação de todas as empresas privadas”. E ressaltou: “A questão da operação é estratégica”.

Dilma, candidata de Lula para sua sucessão, estava em Washington para a quarta reunião do fórum de CEOs. À tarde, enquanto o grupo se reunia na sala do assessor de Segurança Nacional obamista, James Jones, o presidente Barack Obama apareceu no local.

Segundo relatos, ele foi simpático, mas protocolar. Perguntou aos empresários as principais dificuldades nas relações bilaterais. Disse que o país era parceiro estratégico não só em questões bilaterais mas também em regionais e globais e ressaltou a intenção de aprofundar a colaboração em biocombustíveis, na ajuda à África e ao Haiti e no combate à mudança climática.

E, segundo a própria Dilma, reforçou o apreço por Lula, com quem se encontrou quatro vezes desde eleito e falou outro tanto ao telefone. Ele evitou dar uma data da visita que disse que fará ao Brasil, mas James Jones confirmou que irá ao país no início de agosto.
Na noite anterior, o economista-chefe da Casa Branca, Larry Summers, havia oferecido jantar a Dilma, ao ministro Miguel Jorge e aos empresários. Segundo presentes, Summers se comprometeu em evitar o protecionismo. Dilma e Jorge seriam recebidos ontem ainda pelo secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner.

SÉRGIO DÁVILA
Folha de São Paulo