Os países desenvolvidos deverão apresentar cortes insuficientes de emissões de dióxido de carbono (CO2) na próxima década, afirmou nesta segunda-feira, 7 de junho, o secretário-executivo da ONU sobre Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, durante conferência em Bonn (Alemanha) que discute os rumos do clima mundial.

“Não vejo o processo oferecendo metas de mitigação adequadas na próxima década”, argumentou o diplomata holandês à jornalistas, em meio ao encontro que reúne negociadores de 185 países. “Em longo prazo teremos a questão sob controle”, ponderou. De Boer acredita, no entanto, que os governos das nações ricas conseguirão cortar 80% das emissões até 2050.

O comitê de cientistas que presta assessoria à ONU sugeriu que os países industrializados cortassem as emissões de gases causadores do efeito estufa entre 25% e 40% abaixo dos níveis de 1990, até 2020, para evitar as consequências mais drásticas do aquecimento global.

Segundo De Boer, os compromissos apresentados pelos países desenvolvidos até agora “levam-nos a 13% ou 14% abaixo dos níveis de 1990… e precisamos claramente ir além disso”. De acordo com o ambientalista Raman Mehta, da ActionAid India (ligada à rede Climate Action Network), os estudos científicos apontam que “com as medidas atuais a temperatura crescerá mais de 3 graus no planeta”.

Entre o final de novembro e o início de dezembro, representantes de 192 países estarão reunidos na cidade mexicana de Cancún para participar da 16ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP16). Yvo De Boer, que entregará o cargo em julho para Christiana Figueres, já adiantou que o encontro dificilmente irá estabelecer um acordo internacional com peso de lei (de cumprimento obrigatório). A ONU acredita que este tratado só deverá ser firmado ao final de 2011, durante a COP17, na África do Sul.

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