Depois de atrair R$ 300 milhões da fabricante de produtos Apple, cidade dá incentivos e cria parque tecnológico

Entre os tributos que terão cortes estão ISS, IPTU e ITBI; empresas reclamam de escassez de mão de obra

Zé Carlos Barreta/Folhapress
Prefeito Miguel Haddad, em seu escritório, em Jundiaí; cidade cria parque com incentivos fiscais após atrair Foxconn

CAMILA FUSCO
DE SÃO PAULO

Depois de chamar a atenção por ser o primeiro polo de fabricação de produtos da Apple fora da China, Jundiaí quer atrair mais empresas de base tecnológica.

O município está finalizando um projeto de lei para dar incentivo à indústria de montagem de eletrônicos que prevê redução de IPTU, Imposto Sobre Serviços (ISS) e o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).

“A cidade está se tornando a capital nacional do tablet, com duas empresas já habilitadas a produzir. Seria natural estender os benefícios a mais empresas que se instalem no município”, diz o prefeito Miguel Haddad (PSDB).

Entre as empresas beneficiadas estão a taiwanesa Foxconn, que produzirá iPads e iPhones, para a Apple, e a Itautec, que faz de computadores a caixas eletrônicos.

Só a Foxconn investiu

R$ 300 milhões no último ano para a construção de sua terceira fábrica no município, dos R$ 435 milhões aplicados pela indústria na cidade.

Também serão beneficiadas a AOC, de monitores, e Compal e Arima, que montam equipamentos eletrônicos, de celulares a computadores.

Hoje o setor representa 8% da arrecadação, de R$ 1,3 bilhão, e o objetivo é chegar a 10% já no ano que vem, segundo o secretário das Finanças, José Antonio Parimoschi.

Com investimentos anuais de R$ 30 milhões em parceria com o governo Estadual, Jundiaí pretende iniciar em janeiro a estruturação de seu parque tecnológico.

Será uma área de ao menos 300 mil metros quadrados para atrair empresas de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia, em tentativa de diversificar o tradicional “chão de fábrica” das empresas de montagem de equipamentos.

Entre os incentivos planejados para o parque estão redução de ICMS, já que há parceria com o governo do Estado, e e também de ISS.

Apesar da proximidade de aeroportos e de três faculdades e escolas técnicas públicas com 3.600 formandos ao ano, empresas de tecnologia reclamam da falta de profissionais qualificados.

A Bematech, de sistemas para terminais de ponto de venda, tem ali um centro de desenvolvimento de software com 150 pessoas. Hoje está com 50 vagas abertas e precisa recorrer a profissionais de nível técnico e investir em treinamento por não encontrar oferta suficiente com formação superior.

“Hoje vemos um apagão de mão de obra. Se levávamos um mês para repor um funcionário que saía, hoje são três meses”, diz Cléber Morais, presidente da Bematech.